Por que esperamos tanto na “Fila da Adoção”?

É normal pensarmos: “Por que estamos a tanto tempo no Cadastro Nacional de Adoção e não recebemos a tão esperada ligação?” “Por que tanta burocracia e demora nos processos de adoção?”

Pois vamos tentar responder estas perguntas, ou pelo menos te deixar informado de alguns números do nosso imenso Brasil.

Segundo relatório do CNA (gerado em 24.03.2018) no Brasil temos mais de 40 mil pretendentes regularmente inscritos no CNA (muito pai e mãe né?). E temos quase 5 mil crianças disponíveis para serem adotadas. Temos também a relação de pretendentes internacionais, são 277 pretendentes estrangeiros habilitados a adotarem crianças brasileiras.

Mas, estes papais e mamães, definiram um perfil para seus futuros filhos, que muitas vezes não condizem com a nossa realidade nos Lares Institucionais (Casa Lar, Abrigos, etc…). A maioria dos pretendentes quer crianças com menos de 5 anos de idade, brancos, sem irmãos, e de preferência menina. Porém na realidade temos muitos irmãos, maiores de 5 anos, muitos negros, pardos, amarelos, etc…

Percebo que as pessoas têm a falsa ideia de que as crianças maiores darão mais trabalho, que serão “revoltadas”. Mas esquecem que as crianças que estão à espera de uma família nestes lares institucionais tem um acompanhamento com equipe especializada que os preparam para uma nova família. O trabalho dessa esquipe é muito importante e sério. Afinal, a ideia é que estas crianças quando forem para a fase de aproximação com a nova família, se adaptem e realmente a adoção seja efetiva, que sejam integradas completamente a esta nova família. Dessa forma todos ganham! Principalmente a criança e o adolescente, que são os mais importantes nessa relação, o bem-estar deles é o principal interesse a ser resguardado nesta relação!

Vou dar um exemplo de como a conta nunca fecha:

CRIANÇAS COM MENOS DE 1 ANO:

pretendentes ……………. 5407

crianças ……………………….11

CRIANÇAS COM 05 ANOS:

pretendentes ……………. 5970

crianças ……………………… 83

CRIANÇAS COM 10 ANOS:

pretendentes …………….. 436

crianças ……………………. 223

CRIANÇAS COM 15 ANOS:

pretendentes ………………. 21

crianças ……………………. 653

CRIANÇAS COM 17 ANOS:

pretendentes ……………… 25

crianças …………………….. 583

Fonte: http://www.cnj.jus.br/programaseacoes/cadastro-nacional-de-adocao-cna

Podemos notar que na evolução dos números que quanto menor a criança maior o número de pretendentes, e quanto mais as crianças crescem, menos são os pretendentes a adoção. Por isso que muitas vezes tantos e tantos pretendentes esperam por anos nas “filas de adoção”, e quando analisamos esses números entendemos o motivo.

É claro, que cada um tem que pensar e analisar bem antes de definir o perfil do filho tão desejado, mas pensem com carinho naqueles “maiorzinhos” que estão, na maioria das vezes, esperando a tantos anos, vendo outras crianças entrando e saindo dos Lares, e eles permanecendo ali.

O mais importante é dar amor, ter a consciência de que nenhum filho é perfeito e não vem com manual. Cada um tem a sua personalidade, independente de idade, cor, sexo ou qualquer outra característica.

Pense e repense, e se você já está com perfil definido e resolver alterar, não tem problema, vá até a Vara de Família da Comarca onde você foi habilitado e peça para alterar o perfil!

Se você já mudou o perfil, adotou uma criança maior, quanto tempo demorou a sua gestação, tem alguma experiência para compartilhar conosco ou tem alguma dúvida sobre o assunto, deixe seu comentário no blog! Compartilhar experiências faz parte da espera!

Grande abraço e ótimo final de semana!!

Obs: publicação Blog Grávidos do Coração.  https://gravidosdocoracaopr.blogspot.com.br/.

 

Perguntas Frequentes

O que é adoção?
É uma maneira legal e definitiva de uma pessoa assumir como filho(a) uma criança ou adolescente nascido(a) de outra pessoa. 

Por que adotar?
Para dar a toda criança e adolescente o direito já lhe concedido por lei, de viver em uma família. 

Onde e como se pode recorrer à  adoção?
A única maneira permitida por lei para se adotar uma criança ou adolescente é fazendo solicitação junto a Vara de Adoção no Juizado da Infância e Juventude ou Forum de sua cidade. 

Pode-se registrar uma criança como filha sem recorrer ao Juizado da Infância e Juventude?
Não! Isto é ilegal, ou seja, é crime  punível com reclusão de 02 a 06 anos (art. 242 do Código Penal). O registro em cartório pode ser cancelado a qualquer momento, dando aos pais biológicos o direito de recorrer à  Justiça para reaver o(a) filho(a).
Registrar em cartório uma criança nascida de outra pessoa em seu próprio nome é ilegal.

Concluída a adoção, existe a possibilidade de os pais adotivos perderem o (a) filho(a) para os pais biológicos? 
Não. A adoção feita através de  ato judicial é irrevogável, ou seja, a adoção concedida pelo juiz não tem volta! A adoção legal garante ao filho adotivo os mesmo direitos do  filho biológico, inclusive os de nome e herança.

É caro adotar uma criança ou adolescente? 
Não! Todo o processo de adoção do Juizado da Infância e Juventude é gratuito.

Como devo proceder quando meu plano de saúde não aceita incluir a criança como meu dependente durante o período de Guarda Provisória? 
Neste caso, será necessário redigir uma carta para o Juiz de Direito da Vara da Infância e Juventude de sua Comarca relatando a situação e requerendo a inclusão da criança no plano de saúde conforme o previsto na legislação brasileira (petição para inclusão da criança no plano de saúde). 

Quem pode adotar?
Pessoas maiores de 21 anos, solteiras, casadas, separadas, viúvas, ou que convivam maritalmente, padrastos e madrastas, desde que sejam pelo menos 16 anos mais velhos do que a  criança ou adolescente. Avós e irmãos da criança não podem adotar, mas  podem pedir a guarda ou tutela da criança ou adolescente junto a Vara  de Família.

Filhos adotivos dão mais problemas que filhos biológicos?
Não! Várias  pesquisas e estudos mostram que os problemas de famílias adotivas e  biológicas são os mesmos. No entanto, a preparação para a maternidade/paternidade é recomendável a toda e qualquer pessoa. 

Os pais que adotam têm direito a licença-maternidade?
Segundo a Lei nº 12.010/2009, em qualquer caso de adoção ou guarda judicial, o período de gozo da licença-maternidade passa a ser de 120 dias, independentemente da idade da criança.

Quando se deve contar à  criança que ela é adotada?
A experiência mostra que o ideal é contar o mais  cedo possível, de forma verdadeira e natural, pois toda pessoa tem o  direito de conhecer a história de sua vida. Viver uma mentira gera  ansiedade, falta de confiança e insegurança à criança e aos pais.

É perigoso receber uma criança diretamente da mãe biológica ou de terceiros, sem a intervenção do Juizado da Infância e Juventude, com a  finalidade de criá-la?
Sim é perigoso. Cuidado! Muitas vezes pessoas inescrupulosas, mais cedo ou mais tarde, usam este artifício para  extorquir e chantagear as pessoas que de boa-fé receberam a criança. Além disso, esta pessoa ou família pode vir a sofrer pressões, comprometendo seu bem estar e até o seu desenvolvimento emocional.

Qual a diferença entre abandono e doação?
Abandonar uma criança é deixá-la a própria sorte ou “esquecê-la” numa instituição, ou deixá-la com pessoas sem saber se estas têm condições de oferecer ambiente adequado ao seu desenvolvimento. Doar uma criança é abrir mão, no  Juizado da Infância e Juventude, do direito de pai/mãe, em benefício da criança, quando a pessoa não se sente capaz ou em condições de criá-la.

Por que procurar o Juizado quando se deseja doar um filho?
Por que o Juizado da Infância e Juventude possui profissionais capacitados para fornecer atendimento  adequado, esclarecendo dúvidas e orientando a  pessoa interessada com o objetivo de proteger a criança. Além disso, o Juizado possui cadastro de pessoas preparadas para a adoção.

O que são Grupos de Apoio à  Adoção?
São grupos formados por profissionais,  pais e filhos adotivos, ou quaisquer pessoas da comunidade preocupadas  com o abandono de crianças e adolescentes, e que acreditam que a  família é o melhor ambiente para um desenvolvimento saudável. Esses  grupos têm como objetivo prevenir o abandono, estimular a adoção, dar  apoio aqueles que adotam e educar a comunidade sobre o assunto.